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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Oferta elevada pressiona preços do boi

Ao contrário da valorização esperada para o período de entressafra, os preços da arroba do boi se mantiveram estáveis nos últimos meses, registrando ligeira queda desde o início do ano. O inverno de temperaturas amenas e bom regime de chuvas favoreceu as condições da pastagem e aumentou a oferta do produto no mercado, pressionando os preços. De janeiro a julho, a arroba do boi gordo no Paraná apresentou desvalorização de 4,53%, fechando este mês com média de R$ 90,74.

De acordo com o médico veterinário do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), Fábio Mezzadri, a oferta constante de carne bovina manteve o mercado equilibrado em todo o País. ''Os preços costumam subir entre maio e setembro, período de entressafra, mas este ano o clima colaborou com a manutenção do pasto e os preços ficaram estáveis'', explica.

Segundo o analista da Scot Consultoria, Hyberville Neto, além do clima, o mercado está pressionado pela alta disponibilidade de animais resultante dos quatro últimos anos de retenção de fêmeas. Em São Paulo, a arroba do boi era comercializada a R$ 90,50 ontem. Das 31 praças consultadas pela Scot, seis apresentaram recuo no ano. O consultor lembra que o único aumento de preços foi registrado em abril, quando a oferta de fêmeas diminuiu. ''Mas o mercado não aguentou muito tempo e logo os preços começaram a cair novamente'', relata.

Na avaliação do veterinário Fábio Mezzadri, a tendência é de manutenção da regularidade até o final do ano. ''A tendência é de ligeira alta nos preços nos próximos meses, mas acredito que o cenário está mais propício à estabilidade'', afirma Mezzadri. O analista da Scot lembra que os preços da arroba costumam ser mais altos no segundo semestre, este ano, porém, pode ser uma exceção. ''Pode haver uma elevação nos preços em novembro porque os pecuaristas que iriam confinar gado se desestimularam com os preços baixos, mas espero um ano de preços pressionados'', analisa Hyberville Neto.

Alto custo

Para José Antônio Fontes, presidente da Associação Nacional de Produtores de Bovino de Corte (ANPBC), a situação do pecuarista está ainda mais complicada em razão dos preços do milho e da soja, que incrementam o custo de produção e reduzem a margem de lucro. ''O custo está bem pesado e a relação com o preço está começando a empatar. O pior é que não há previsão de recuperação até o final do ano'', comenta.

Fontes revela que os pecuaristas começam a adotar algumas medidas para garantir rentabilidade diante desse cenário desfavorável e uma delas pode ser o abate de fêmeas. A medida, entretanto, pode trazer consequências negativas no futuro. ''A curto prazo, a oferta pode aumentar ainda mais, mas nos próximos anos vai faltar gado porque as vacas não foram destinadas à recria. Corre-se o risco de um efeito de bola de neve'', aponta. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Enterotoxemia em confinamento de bovinos de corte

A enterotoxemia é uma clostridiose causada pela absorção de toxinas produzidas pelo Clostridium perfringens, bacilo anaeróbico, gram-positivo, que é habitante natural do trato digestivo dos ruminantes. É caracterizada por distúrbios gastrointestinais, sintomas nervosos e morte súbita, afetando principalmente animais jovens e bem nutridos.
Normalmente ocorre em confinamentos que fornecem dietas com altos teores de concentrados, após troca da alimentação ou quando os animais são superalimentados. Estes fatores alteram o ambiente intestinal, favorecendo a proliferação excessiva destes bacilos e abundante produção de toxinas. Sendo o intestino delgado o órgão-alvo.
O C. perfringens é classificado em cinco tipos, A, B, C, D e E. Esta classificação ocorre de acordo com a produção de quatro principais toxinas, são elas a alfa, beta, épsilon e iota. Os mais importantes são os tipos B e D.
Os sinais clínicos incluem anorexia, diarréia, desidratação, ataxia, prostação e morte. Em casos agudos poderá ocorrer morte súbita.
O diagnóstico se dá basicamente por achados de necropsia. O intestino delgado vai apresentar lesões avermelhadas em placas focais ou difusas, principalmente em sua porção distal. Congestão e extravasamento de sangue tomam forma de petéquias, equimoses, víbices ou de hemorragia difusa, que macroscopicamente, se assemelha ao que ocorre no estrangulamento intestinal. Os intestinos estão flácidos, com a parede delgada, dilatados e freqüentemente cheios de gás (KRUININGEN, 1998). Pode ocorrer o rompimento do intestino, devido o aprisionamento de gás. Outros sinais observados são excesso de líquido na cavidade abdominal e pericárdio, fígado congesto e pulmões edemaciados. Microscopicamente as toxinas podem causar danos às vilosidades intestinais.
O controle da enterotoxemia ocorre através de vacinação dos bovinos no período que antecede o início do confinamento. A vacina polivalente contra clostridioses deve ser aplicada em duas doses, a primeira dose um mês antes da data prevista de entrada dos animais no confinamento e a segunda na entrada no confinamento.

Referências bibliográficas:
CARLTON, W. W; MCGAVIN, M. D. Patologia veterinária especial de Thomson. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 1998.
PIRES, A. V. Bovinocultura de corte. Piracicaba: FEALQ, 2010.

sábado, 28 de julho de 2012

Carbúnculo sintomático em ovinos

"Perdi um boi de três anos por causa do carbúnculo.  Crio ovelhas no mesmo pasto, tenho que vaciná-las?". 
Lauana Borges Santiago é pesquisadora da Embrapa Caprino e Ovinos, localizada em Sobral/CE, e recomenda que ele vacine as ovelhas para evitar um surto da doença na propriedade. A vacinação, inclusive, é uma das exigências para que os animais participem de feiras, leilões ou exposições.
Segundo a pesquisadora, o carbúnculo sintomático – popularmente conhecido como “manqueira” – é uma inflamação dos músculos esqueléticos causada por uma bactéria chamada Clostridium chauvoei. Os ovinos são contaminados de forma exógena, ou seja, através de feridas provenientes da tosquia, parto distócico (com a utilização de instrumentos), castração, vacinação ou qualquer outro tipo de intervenção cirúrgica sem as devidas condições de assepsia.
Os animais infectados costumam apresentar os seguintes sintomas: febre, apatia, anorexia, edema (inchaço) e crepitação do músculo afetado, sendo que a morte pode ocorrer em 48 horas.
A vacinação é o melhor mecanismo para o controle da doença, uma vez que o ciclo do carbúnculo é muito rápido e, portanto, torna o tratamento impraticável. Logo, a vacina polivalente deve ser aplicada anualmente nos animais jovens e reprodutores. Aqueles que recebem a vacina pela primeira vez devem tomar uma dose de reforço após quatro semanas e as fêmeas gestantes recebem a imunização no último mês de gestação. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Laboratórios devem destruir amostras de vírus vivo da peste bovina

FAO e OIE pedem moratória em pesquisa para evitar que a doença, erradicada há um ano, ressurja

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial para a Saúde Animal (OIE) querem acabar com as amostras de vírus vivo de peste bovina que ainda estão estocadas em laboratórios pelo mundo. Eles temem que a doença, erradicada há um ano, ressurja.
O pedido, anunciado nessa segunda-feira, faz parte de uma moratória internacional envolvendo pesquisas com os vírus. Ao menos 40 laboratórios pelo mundo ainda estocam o vírus da peste bovina – e alguns não têm o nível de segurança necessário para manter a doença sob controle. 
Pesquisas essenciais - As duas organizações pedem que sejam conservadas algumas reservas do vírus para a produção de vacinas, caso a doença ressurja na natureza ou se propague como resultado de um ato acidental ou deliberado. 
Em duas resoluções internacionais, aprovadas em 2011, os países membros da OIE e da FAO concordaram em destruir as reservas restantes do vírus da peste bovina ou armazená-las de forma segura em um número limitado de laboratórios relevantes com medidas de contenção de alto nível.
"A FAO e a OIE convocam os países a cumprir a moratória. Ela será mantida e todas as futuras propostas de pesquisa deverão ser enviadas à OIE e à FAO para sua aprovação, conforme as resoluções de 2011", advertiram.
Como parte da estratégia pós-erradicação da peste bovina, FAO e países membros da OIE estão empenhados em manter um nível suficiente de monitoramento e vigilância de surtos de peste bovina vírus até 2020. A peste bovina não ataca os seres humanos.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Suínos doentes podem se beneficiar de farelo de soja na alimentação

Adicionar farelo de soja na alimentação de suínos pode oferecer vantagens na comparação com aminoácidos sintéticos quando se lida com um doença. É o que diz uma pesquisa realizada pela Universidade de Illinois (EUA).
O estudo foi concluído com as observações de agroindústrias que alimentaram suínos doentes com farelo de soja em vez de aminoácidos cristalinos. Representantes das empresas constataram que os suínos alimentados com farelo reagiram melhor às doenças. "Poucos dias após ficarem doente, leitões que receberam 10% a mais de farelo de soja em suas dietas, um nível acima da faixa padrão da indústria, tiveram ganho de peso melhor do que os animais que não tiveram este acréscimo", disse Ryan Dilger, professor assistente na Universidade de Illinois. "Aqueles que comeram mais soja também tiveram menos febre durante a primeira semana de infecção".
Futuras pesquisas poderiam poderão quantificar melhor os resultados. "Também gostaria de entender a influência do farelo de soja em sistemas de suínos imunes para fazer recomendações para rações para suínos com maior risco de contrair uma doença", disse Jim Pettigrew, professor da Universidade de Illinois. Com informações do site internacional Watt.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Suinocultores reclamam de pacote do governo.

As entidades representantes de produtores de suínos não ficaram totalmente satisfeitas com o pacote de medidas anunciado ontem pelo Ministério da Agricultura. Apesar de ter recebido do governo a prorrogação das dívidas e a criação de novas linhas de financiamento, o segmento reivindicava a inclusão da carne no Programa de Garantia de Preço Mínimo (PGPM).
No entanto, o governo optou por duas ferramentas de leilão: o Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) - que permite o envio de animais de uma região à outra, para suprir demanda e alcançar preços melhores.
A medida pretende apoiar a comercialização de 76 mil toneladas de suínos vivos, com um investimento de R$ 30,4 milhões. O produtor receberá R$ 2,30 por quilo e, se o preço estiver abaixo deste valor, ele poderá recorrer ao subsídio concedido de até R$ 0,40 por quilo.
O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, diz que a medida é insuficiente para auxiliar os produtores independentes. "Precisamos de subvenção entre a diferença do preço de venda do quilo do suíno vivo e do custo de produção", disse Lopes.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Caio Rocha, acredita que o governo já resolveu o problema da maioria dos produtores. "Calculamos que 80% deles serão beneficiados", disse. As outras medidas incluem a prorrogação por um ano após o vencimento da última parcela para as linhas de investimento contratadas. Além disso, as de custeio, que vencem este ano, serão alongadas até janeiro de 2013. Porém, os criadores que comprovarem incapacidade de pagamento terão cinco anos para quitarem o débito.
O governo também vai criar linhas de crédito para o produtor. A primeira será para a compra de leitões vivos, com R$ 200 milhões disponíveis e juros de 5,5% ao ano. Outra é para a retenção de matrizes, com R$ 2 milhões de teto por produtor, e prazo de pagamento em até dois anos com juros de 5,5% ao ano. Serão destinados R$ 300 milhões com taxa de juros de 5,5% ao ano e prazo de até 5 anos em uma linha de crédito para pagamento de débitos feitos fora do sistema bancário.

Fonte:  Valor Econômico

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Cotação do boi gordo apresenta queda no acumulado de julho, diz Cepea

Indicador do órgão aponta baixa atribuída ao ritmo lento do mercado pecuário.


O indicador do boi gordo Esalq/BM&FBovespa fechou a R$ 90,40 nesta quarta, dia 18. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o valor representa queda de 2,5% no acumulado de julho. Técnicos do órgão atribuem a baixa ao ritmo lento do mercado pecuário, que opera sob pressão da ponta compradora.
Os pesquisadores afirmam ainda que os pecuaristas demonstram desânimo em relação aos preços oferecidos pela indústria. Acrescentam que os negócios têm sido fechados a valores e volumes distintos, em função da heterogeneidade dos animais, condições de pagamento e entrega, além de perfil do comprador e vendedor.
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