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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Mercado do boi 2012 – Entenda melhor o que está acontecendo neste ano atípico

Este ano de 2012 tem se mostrado atípico em relação aos anteriores. Em plena a entressafra do boi, os frigoríficos estão com escala de abate alta, indicando alta oferta de boi no mercado. Mas por que razão? Duas situações totalmente inversas podem explicar. Na região centro-oeste, triângulo mineiro, em parte do sudeste e no norte brasileiro, a chuva prolongou-se, fazendo com que os pastos continuassem produzindo em uma época que historicamente não há oferta de capim devido à falta de chuva. Quem andou por esses lugares pode observar pasto verde, e muitos produtores mantiveram por mais tempo seus animais no pasto, conseguindo terminá-los e colocá-los no mercado em plena entressafra.
Em contrapartida, algumas regiões do Brasil, como o norte de minas e o nordeste brasileiro, sofreram com baixos índices pluviométricos. Algumas cidades dessas regiões chegaram a registrar os índices pluviométricos mais baixos dos últimos 10 anos, decretando estado de emergência. Esse fator não permitiu a produção adequada de pasto para que os produtores conseguissem passar pela seca, e os pecuaristas tiveram que entregar seus animais mais cedo, o que também aumentou a oferta no mercado. Alguns produtores precisaram abater até matrizes, reduzindo seu rebanho. Assim, os preços da arroba caíram, devido à alta oferta que aumentou as escalas.

Veja abaixo a variação do preço da arroba entre 2011 e 2012 nos períodos de abril, maio e junho e julho
Indicador do Boi Gordo ESALQ/BM&FBovespa  – média mensal à vista SP – adaptado por Vitoriano DornasIndicador do Boi Gordo ESALQ/BM&FBovespa – média mensal à vista SP – adaptado por Vitoriano Dornas
O valor mais baixo da arroba neste ano não seria um problema tão grave se não fosse também o ano em que a soja bateu recordes de preço, obtendo valores até 43% maiores que o ano anterior. E o milho que vinha com preços baixos até julho, agora disparou, acompanhado a alta do mercado internacional, principalmente devido à seca que atingiu os EUA. Alguns analistas acreditam que os preços até setembro tendem a manter-se firmes no mercado. Os produtores dos EUA pedem uma intervenção ao governo para a diminuição de utilização do milho para a produção de bicombustível, onde 1/3 de sua produção é destinado a produção de etanol, que é misturado na gasolina.
A relação de troca do milho com a arroba do boi, considerando a Praça de SP, está hoje em 2,79, ou seja, uma arroba de boi compra 2,79 sacas de milho. De junho para julho, o poder de compra do pecuarista caiu em 27%, segundo dados da SCOT CONSULTORIA®.
O milho e a soja apresentam grande representatividade no custo de produção de um bovino confinado, podendo chegar a mais de 20% dos custos. Veja a variação de preço da soja e do milho entre os períodos de 2011 e 2012.
Indicador CEPEA/ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá – adaptado por Vitoriano Dornas
Indicador CEPEA/ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá – adaptado por Vitoriano Dornas
Indicador de Preços do MILHO ESALQ/BM&FBovespa – adaptado por Vitoriano Dornas
Indicador de Preços do MILHO ESALQ/BM&FBovespa – adaptado por Vitoriano Dornas
Uma dica simples e óbvia aos pecuaristas: procure alimentos substitutos do milho e da soja, que estejam com preços atrativos próximos à sua região.
O custo de produção do boi está alto, a arroba está com preço baixo, e a margem de lucro do produtor está muito menor do que 2011. O que se pode esperar do mercado desse último semestre de 2012? É torcer para que ele passe logo, e possa haver novamente um cenário atrativo como nos anos anteriores. O que tem ajudado é que neste ano a reposição está com bons preços, o que pode melhorar o resultado do próximo ano.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Exportação da pecuária aumenta, mas renda cai


Tão importante quanto controlar o seu rebanho é saber se o mesmo está dando lucro ou prejuízo. Com o novo controle de receitas e despesas do Laço 3 você pode administrar as finanças de uma ou mais propriedades e acompanhar a evolução dia-a-dia ou mês-a-mês, seja na forma de planilhas, balanços ou gráficos. Com o Laço, agora ficou mais fácil movimentar suas contas.

Exportação de carnes in natura no país registrou um acréscimo de 37% no volume embarcado em agosto deste ano comparado com igual período de 2011, movimentando mais de 421 milhões de dólares.

Apesar da variação positiva nos abates, é possível perceber que o incremento no volume é maior do que a alta nos valores. Entre agosto de 2011 e 2012 houve um crescimento de 37% no volume embarcado, porém a renda movimentada registrou somente 21% a mais. De acordo com o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, este desequilíbrio entre o peso e a renda é consequência da estabilidade e até queda no preço da arroba neste último ano.
 
O levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que na última semana de agosto de 2011 a arroba era cotada em média, em Mato Grosso, por 86 reais. Neste ano, no mesmo período, o preço médio caiu para 82 reais, uma desvalorização de 4,65% em um ano.

Fonte: MT Agora

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Apesar do aumento das exportações de suínos em agosto, mercado interno ainda preocupa.

Segundo o Cepea, valor pago pelo animal vivo recuou no Brasil nos últimos dias.

As vendas de carne suína in natura ao mercado internacional voltaram a aumentar em agosto. No mês, os embarques totalizaram cerca de 47 mil toneladas, volume 25% superior ao de julho de 12 e próximo à quantidade recorde exportada neste ano, em maio, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento. Entretanto, segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), enquanto as exportações trazem um pouco de ânimo aos agentes do setor, o mercado interno ainda preocupa.
Nos últimos dias, o valor pago pelo suíno vivo recuou em todas as regiões acompanhadas pela instituição; no Estado de São Paulo, as baixas nesta virada de mês foram superiores a 10%. No front externo, as vendas brasileiras da carne suína acumularam receita de US$ 120,4 milhões em agosto. Em reais (considerando-se a média do dólar em R$ 2,03 no mês), a receita foi de R$ 244,17 milhões, valor 25,2% maior que o de julho de 2012 e 40,8% superior ao de agosto de 2011. Esse cenário foi favorecido pela valorização do dólar frente ao real nos últimos meses.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pecuária leiteira está em alerta com a estiagem; quebra chega a 20%

Umuarama - A falta de chuva, típica nesta época do ano, tem preocupado diversos produtores de leite de Umuarama. Segundo o Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), as quebras nas produções chegam a atingir a margem dos 20%. Isso ocorre devido à estiagem, que prejudica diretamente o capim; uma das principais fontes de alimentação do gado leiteiro.

                  
De acordo com o economista do Deral de Umuarama, Ático Luiz Ferreira, esta seca começou afetar a pecuária nos últimos 15 dias, deixando muitos produtores de leite em alerta. “A estiagem é um fenômeno anual, por isso os pecuaristas precisam estar atentos e preparar um estoque de alimentação para que a produção não sofra tanto”, orienta Ferreira.


Ele acrescenta que além do pasto, os produtores podem utilizar a silagem ou o feno para substituir o capim durante esses dias de baixa rentabilidade. “O pasto seco reduz a produção, porque baixa a qualidade do alimento do rebanho”, diz o economista.


Fábio Nezzabre, técnico agrônomo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), revela que as estatísticas registradas em Umuarama seguem a média estadual. No Paraná, as quebras da produção de leite estão entre 15 a 20%. “Tratando-se de agropecuária, a leiteira é a que sente mais com a estiagem, diferente da de corte, que, no máximo, pode sofrer apenas um atraso no abate”, informa o agrônomo.


Com uma média de 41 pecuaristas associados, a Associação de Produtores de Leite de Umuarama (Umuleite), apresentou, dentro de uma semana, uma queda de quase mil litros em toda a produção. Conforme divulgou a administração do laticínio, essa quebra pode aumentar ainda mais, caso não haja previsão de chuva para os próximos dias.


“Não podemos afirmar nada, mas, o que ouvimos de muitos produtores é que essa estiagem está mais intensa que a seca registrada no mesmo período do ano passado”, comenta a administradora da Umuleite, Janaina Vieira.


Com pouco estoque de silagem, o pecuarista, Marcelo Zubioli se diz preocupado com a situação. A pastagem já está parcialmente comprometida e a alimentação que ainda resta deve durar por, no máximo, duas semanas. “A qualidade do capim também interfere bastante. Aqui na nossa região, temos uma qualidade de pasto que não é resistente, então, qualquer estiagem já afeta”, complementa.


Zubioli explica que a média diária da produção dele é de aproximadamente 220 litros/dia, entretanto, nas últimas ordenhas a média não ultrapassou a faixa dos 180 litros/dia. “Se não chover, não sei o que vou fazer. Quem produz leite sabe que todo ano, entre julho a setembro é esse problema e também entende que só a silagem não é suficiente para manter a produtividade”, conta.


Queda na produção


Assim como Zubioli, outro produtor de leite de Umuarama que está atento ao clima, é Edson Scapim. Ele diz que a produção leiteira na propriedade dele caiu cerca de 70 litros. Para Scapim a maior preocupação não é tanto o estoque de alimentação, mas sim o preço para manter esse alimento opcional.
“O farelo de soja, que é uma grande opção para mantermos a qualidade do leite, praticamente dobrou o preço. Antes se pagava R$ 800 pelo saco, agora está R$ 1.600”, discorre indignado o pecuarista. Ele ressalta que para evitar grandes gastos na produção, ainda aproveita o pasto, mesmo que seco, e a silagem complementa a alimentação do gado de leite.


Preço e previsão de chuva

Atualmente, o preço do litro de leite está em torno de R$ 0,78, porém, se o produtor não atender às exigências de qualidade, esse valor cai para R$ 0,70. “Tem muito produtor desanimado da pecuária leiteira. Se continuar desse jeito, vamos ter que comprar o produto de outros laticínios para poder suprir a demanda do mercado local”, destaca a administradora da Umuleite, Janaina. De acordo com dados do Instituto Meteorológico do Paraná (Simepar), não há previsão de chuva para esta semana, o que deixa os agropecuaristas ainda mais receosos. Se a estiagem permanecer por um longo período, o preço do produto, nas prateleiras dos supermercados da cidade, poderá subir, uma vez que o custo da produção será maior. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Caprinos: O bem-estar do animal gera aumento na produção de leite

Em galpões muito baixos, ocorre um aumento da temperatura ambiente, causando perda de produção por estresse calórico


Nos últimos anos, dois aspectos econômicos importantes vem influenciando no interesse pela caprinocultura leiteira: nos países desenvolvidos, nota-se um estrangulamento na produção de leite de vaca, por meio das cotas de leite, impedindo o criador de aumentar seu faturamento, fazendo-o procurar meios alternativos sem o controle de cotas de produção, como o caso do leite de cabra. Por outro lado, nos países em desenvolvimento, nota-se uma procura de mercado alternativo com capacidade de produção, com maior liberdade, agregando maior valor comparado ao que o mercado do leite bovino oferece.

“Na América do Sul, o país que se apresenta mais preparado em rebanho caprino com aptidão leiteira é o Brasil, representando excelentes perspectivas para o crescimento de vendas internacionais”, afirma a médica veterinária Maria Pia de Souza Lima Mattos de Paiva Guimarães, professora do curso Criação de Cabras Leiteiras – Cria, Recria e Produção de Leite, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

Devemos saber que a produção de leite caprino não está concentrada em apenas uma região, mas está bastante segmentada, demonstrando maior aglomeração na região Sudeste, seguida da região Sul do país. Com o aumento crescente do interesse dos criadores, a região Nordeste também vislumbra grandes possibilidades para o desenvolvimento da caprinocultura leiteira, principalmente pelo potencial de a espécie caprina aproveitar as diversidades biológicas existentes .

Para ilustrar o potencial do mercado e a capacidade de absorção, no que se refere a derivados do leite, no Brasil, considera-se 95% como consumo popular (prato, mussarela, parmesão, minas entre outros), enquanto 5% refere-se a queijos tidos como especialidades. Nessa área, o queijo de leite de cabra assume grande importância, pois é a fatia do mercado que se mostra bastante lucrativa, fazendo-o ser competitivo em relação ao preço do leite de vaca.

Conforto animal

A crescente necessidade de aumento da produtividade na produção de leite de cabras tem levado os produtores a buscar maior eficiência. Por isso, os cuidados com o ambiente, o conhecimento dos hábitos, o respeito às rotinas, as preocupações com o conforto e a tranquilidade devem ser levados em conta em qualquer criatório. Muitos desses cuidados não representam aumento de custos e podem ajudar a aumentar a produção de leite.

Como as cabras vivem sob a ação do ambiente, das instalações e das práticas de manejo, que podem prejudicar ou ajudar o animal na expressão de seu potencial de produção, cabe ao produtor interferir no ambiente de vida desses animais, buscando aumentar o seu bem-estar, obtendo, com isso, melhor desempenho. Como exemplo, se submetermos o animal ao estresse calórico, tanto no confinamento como na pastagem, estaremos afetando severamente a sua saúde.

O estresse pelo calor ocorre, porque a habilidade do animal de dissipar calor fica comprometida, determinando aumento da temperatura corporal acima dos níveis normais, o que é chamado de hipertermia. Isso causa redução do consumo de alimentos, aumento do consumo de água, alteração da taxa metabólica, aumento da frequência respiratória e alterações indevidas nas concentrações de hormônios que regulam o funcionamento do corpo do animal.

Tudo isso faz com que ocorra redução acentuada na fertilidade, fator fundamental para o sucesso da produção de leite, já que é o nascimento da cria que determina a capacidade de produzir leite. Daí a necessidade de se oferecer sombra e ventilação às cabras , visando reduzir o impacto térmico sobre o rebanho.

Por Andréa Oliveira

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Potencial de MT para criação de ovinos é tema de dia de campo


A ovinocultura de corte está se tornando uma atividade cada vez mais atraente em Mato Grosso. O estado possui um rebanho de 1,4 milhões de cabeças, de acordo com dados do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado Mato Grosso (Indea), e cresce a uma taxa de 27% ao ano, respondendo por cerca de 11% do rebanho nacional, que é de 17 milhões de animais. Planejamento e eficiência na criação são os pilares para a boa produção que pode ser uma alternativa para diversificar a geração de renda no campo. As oportunidades da cadeia foram discutidas durante o Famato em Campo, que reuniu aproximadamente 200 pessoas na sexta-feira (24.08), na Fazenda Herkapi, em Sorriso. O evento foi realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (FAMATO), em parceria com o Sindicato Rural de Sorriso.
Segundo o presidente da FAMATO, Rui Prado, a entidade está empenhada em incentivar outras atividades econômicas em Mato Grosso, como a produção leiteira, a ovinocultura e também a piscicultura. "O estado oferece inúmeras oportunidades para diversificar a produção e desenvolver outras cadeias produtivas com potencial, mas que ainda são consideradas pouco expressivas, como a ovinocultura. Queremos mostrar ao produtor rural que esta integração de cadeias pode lhe garantir rentabilidade o ano todo", enfatiza.
De acordo com o zootecnista e coordenador estadual da cadeia produtiva da caprino-ovinocultura de Mato Grosso, Paulo de Tarso, um dos palestrantes do evento, o estado tem potencial para se transformar no maior produtor do país, mas para isso alguns desafios precisam ser vencidos. "É necessário a implantação de ações voltadas ao incentivo do consumo, além de levar conhecimento ao produtor de que a atividade pode ser rentável ocupando um pequeno espaço na propriedade. O momento é de dar apoio a esta cadeia. Com a taxa de crescimento de 27% ao ano, poderemos ter o maior rebanho do país em poucos anos, basta incentivar", afirma.
A fazenda Harkapi, em Sorriso, é considerada modelo na criação de ovinos e na integração lavoura pecuária. A família Piccoli entrou na atividade em 2006 com 30 animais. Hoje são 2.500 cabeças das raças Santa Inês, Dorper, Lacaune, White Dorper e Texel que ocupam apenas 35 hectares da propriedade. "O mais interessante é mostrar que é possível criar ovinos em integração com outras culturas, como soja e milho e também a pecuária de corte ocupando áreas mais acidentadas, que não são mecanizáveis"., explica um dos proprietários da fazenda, Hernandes Piccoli.
Sucesso - Para o presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Laércio Lenz, co-realizador do dia de campo, o exemplo da família Piccoli incentiva outros produtores da régião a seguir o mesmo caminho. "Conseguimos reunir cerca de 200 pessoas em Sorriso para falar de um assunto diferente de soja, o que mostra o quanto os produtores estão interessados em diversificar suas atividades, considerando a ovinocultura uma possibilidade". 
Esse foi o segundo Famato em Campo promovido neste ano. O primeiro focado em leite foi realizado em julho, em São José dos Quatro Marcos.

Assessoria de Comunicação do Sistema FAMATO


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Produtores no Rio Grande do Sul trocam gado de leite pela soja


No Rio Grande do Sul, produtores de leite do estão vendendo animais e equipamentos, desestimulados pelos elevados custos da atividade, com o objetivo de investir no plantio de soja na próxima safra de verão. Eles buscam os lucros proporcionados pelos altos preços da oleaginosa.
“Há uma debandada do leite para a soja em função dos custos”, relatou Vladimir di Pietro, empresário que atua na região do município de Cruz Alta, noroeste gaúcho, comprando e vendendo plantéis de gado leiteiro.
“É praticamente a oferta de um tambo por dia”, disse ele à Reuters, referindo-se à venda de todos animais e equipamentos de ordenha.
A soja vem registrando recordes no mercado interno e também na bolsa de Chicago, onde atingiu a máxima histórica nesta quinta-feira, em meio a uma seca nos EUA que reduziu a estimativa de safra catapultou as cotações nas últimas semanas.
Já o preço do leite no país tem se mantido estável nos últimos meses, enquanto os produtores reclamam da elevação dos custos com ração (à base de soja e milho) e das dificuldades de contratar mão-de-obra.
Di Pietro conta que na região onde trabalha ocorre um movimento de concentração dos rebanhos. Quando os negócios acontecem –e nem sempre há compradores interessados–, em geral são pequenos produtores que repassam os animais para grandes fazendeiros, que conseguem se manter na atividade devido ao ganho de escala.
O empresário relata que o preço normal de uma vaca da raça holandesa é de 3 mil reais. Atualmente, há produtores oferecendo animais de 1.500 reais.
“Há um desestímulo em função da queda de preço (pago pelo leite) e de importações massivas”, disse Ernesto Krug, presidente da Associação Gaúcha de Laticinistas (AGL), que reúne desde produtores até indústrias do setor.
“O desestímulo que se causa hoje, leva três anos para ser retomado. Alguns podem voltar e outros não voltam. É uma preocupação grande”, afirmou Krug, referindo-se à migração de produtores de leite para o plantio de grãos.
Segundo a AGL, há cerca de 121 mil produtores de leite no Rio Grande do Sul, mas não há uma estimativa de quantos estão abandonando a atividade.
A entidade calcula que a capacidade instalada no Estado é para processamento de 17 milhões de litros por dia, mas a captação é de pouco mais da metade disso, 9,5 milhões de litros/dia.
O Rio Grande do Sul representa 12% da produção brasileira de leite, atrás apenas de Minas Gerais.
Estimativa divulgada esta semana pela Emater, órgão de assistência técnica do Rio Grande do Sul, mostra que a área de soja deve aumentar 6,2 por cento na safra de verão 2012/13, ante a anterior, ou 258 mil hectares. Deste total, 150 mil hectares serão expandidos sobre áreas de pastagem ou de arroz.
Para a entidade, a maior preocupação é a conversão de pastos naturais do pampa gaúcho, no sul do Estado, em lavouras de soja.
“Não é a vocação natural daquele bioma”, disse Gervásio Paulus, diretor técnico da Emater/RS.
Ele explica que na região mais próximas à fronteira com o Uruguai há muitas fazendas arrendadas, por um período médio de quatro anos.
“Preocupa, porque há uma menor preocupação com o aspecto da conservação de solo.”
A respeito da migração de pecuaristas para a soja no noroeste do Estado, Paulus acredita que sejam casos isolados.
“Ainda não identificamos isso como um fenômeno mais amplo… Mas quando ele (produtor) se desfaz se todo o plantel, de fato, é mais complicado para retornar à atividade depois.”

Fonte: Rural Centro
Adaptação: Revista Agropecuária